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21 setembro, 2011

MICHELIN



2009-01-08 16:36:17
Blog - História do Pneu - A Michelin -

As raízes da Michelin remontam ao ano de 1832, quando Aristide Barbier, a mãe de Edouard e Andre Michelin, se junta ao primo Edouard Daubree na criação de uma fábrica de artigos agrícolas e de borracha em Clermont-Ferrand, França. 

Quando os fundadores morrem, a fábrica entra em declínio, sofrendo pelos anos de fraca gestão a que esteve sujeita. Então, em 1886, com 33 anos, Andre Michelin assume o controlo da firma, determinado em salvá-la, apesar de pouco saber sobre o negócio. 

Era um brilhante engenheiro, mas especializara-se em arquitectura e dirigia a sua própria empresa de metalurgia, em Paris. O seu irmão mais novo acabará de completar o curso de Belas Artes e preparava-se para se lançar numa carreira como pintor. Após longas deliberações, os dois irmãos concordam em largar os seus projectos pessoais e rumarem à fábrica da família, numa tentativa de a salvar. 

Edouard diria ao seu mentor artístico, William Bouguereau: "O meu dever é seguir para Clermont-Ferrand e salvar a fábrica da ruína." 

Tornou-se director e a sua prioridade centrou-se na aprendizagem da profissão. Nas suas memórias escreveu: "Falava constantemente com os trabalhadores. Sabia muito menos que eles e a forma de os fazer ensinarem-me, passou por admitir que era um completo iniciado.".

Cedo, os irmãos começaram a procurar oportunidades de negócio. Uma tarde, em 1889, um ciclista apareceu na fábrica com um problema: um dos pneus da sua bicicleta estava furado. Na altura, estes eram presos à roda com cola. Remover o pneu, repará-lo e recolocá-lo, revelou-se uma tarefa frustrante, difícil e morosa. 

Edouard, que após reparar a bicicleta, daria uma volta nesta, ficou maravilhado com o conforto que aquele tipo de pneus proporcionava, viu que parte do futuro passaria pela fabricação destes, mas antes teria que encontrar uma alternativa à forma como eles eram montados. 

A companhia de borracha fundada pelo pai em 1830, nunca tinha feito pneus. Cintos, tubos e mangueiras eram tudo o que até então tinha fabricado. Nesse mesmo ano de 1889, tinham também fabricado um travão em borracha para os coches e carruagens puxadas a cavalo.

Após inúmeras experiências, dois anos mais tarde, acabaria por nascer um pneu removível, capaz de ser reparado em apenas 15 minutos, que se tornaria na prioridade da fábrica. No ano seguinte, tinham melhorado o pneu, reduzindo para 2 minutos a sua reparação. 

Conta-se que os irmãos terão organizado uma corrida de bicicletas entre Paris e Clermont-Ferrand e sub-repticiamente colocado pregos ao longo do trajecto. Os corredores desprevenidos sofreram vários furos, mas equipados com os pneus Michelin, provaram ser fácil repará-los e continuar a corrida. Em 1893 eram vendidos 10.000 pneus. 



No ano seguinte, 5 "táxis" parisienses a cavalo, eram equipados com pneus. Os testes foram mais um sucesso e em breve, 600 deles estavam equipados desta forma, apesar das sabotagens de que foram alvo pela concorrência que não via com bons olhos este crescimento da Michelin.

Em 1895, conseguiriam convencer os fabricantes automóveis, que usavam um método semelhante ao das bicicletas, para a utilidade destes pneus. 
Conduziram um Eclair, numa corrida em Junho desse ano. Apenas 9 dos 19 competidores lograram terminar os 1209 km da corrida, que durou cerca de 100 horas. Foi uma das muitas vitórias que a Michelin viria a conquistar.

O desenvolvimento foi sempre um factor chave para a Michelin. No complexo de testes de Ladoux, a norte da fábrica mãe de Clermont-Ferrand, um local impressionante, foram construídos vários tipos de estradas, com longas rectas, curvas sinuosas e estreitas, traçados circulares, todos com diferentes pisos de alcatrão e onde os pneus eram testados. No topo da colina, o complexo inclui um conjunto de casas que albergam 4.000 funcionários. 

Com o aproximar do novo século, o negócio dos pneus estava intenso: só em França existiam 150 fabricantes. Uma imagem de marketing forte era essencial para a Michelin se destacar uma vez mais da concorrência. E surge então um dos logótipos de maior sucesso de sempre: O Homem Michelin, uma figura rotunda, composta por pneus empilhados e um enorme sorriso. 

Estávamos em 1898, quando da observação de um conjunto de pneus empilhados, os irmãos imaginaram que acrescentando uns braços, se afigurava uma pessoa. 

Baptizaram-no de Bidendum, a palavra latina que significa beber, pois o poster publicitário inicial, mostrava o Homem Michelin a beber um copo cheio de vidro partido, metal e parafusos, e onde se podia ler: "Os pneus Michelin colocam os obstáculos à distância". Recentemente, em 2000, foi-lhe atribuído o prémio de "Melhor Logótipo da História".



Em 1900, outra instituição nascia, fruto do génio visionário dos irmãos: o Guia Vermelho, mais tarde transformado no actual Guia Michelin. Era de distribuição livre, e incluía uma lista de hóteis, bem como sugestões de viagem, juntamente com informação sobre pneus. No fim da década, já existiam guias disponíveis não só na Europa, mas também no Norte de África, até ao Egipto. Em 1910, publicam o primeiro mapa de estradas, concebido para os condutores.

Sempre á procura de novos mercados invadem o panorama inglês em 1905 e o italiano em 1906. Fazem a sua introdução na aviação, organizando um dificílimo concurso, que culminava com uma aterragem perigosa no pico de uma montanha. Os irmãos são acusados de estarem a ultrapassar os limites do razoável, com os seus intuitos publicitários, mas o prémio era tão elevado que no 3º ano da sua criação, é finalmente alcançado.

Durante a I Grande Guerra continuam o seu fornecimento à aviação, equipando 100 bombardeiros da Força Aérea Francesa de graça e outros 1800 a baixo custo.

Após a guerra, renasce em toda a sua força o parque automóvel e obviamente a Michelin cresce com ele, agora unicamente focada na produção de pneus.

Proprietária de inúmeras plantações de borracha por todo o mundo, continua a fazer uso delas, se bem que muita da sua produção já seja à base de borracha criada sinteticamente.

André, que era o génio por trás do marketing e relações públicas, morre em 1931 com 78 anos e o seu irmão que liderava a área de desenvolvimento e produção, em 1940, aos 81. 

Juntos, tinham construído um dos maiores impérios no ramo automóvel.



Fonte de consulata  Revista Auto esporte.

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